Zona Desmilitarizada da Coréia

25 de maio de 2015

Quem acompanha o blog há algum tempo com certeza já percebeu que eu sou muito interessada pela história das duas Coréias! Adoro ler sobre as diferenças entre suas culturas, todos os conflitos ao longo dos anos e acima de tudo, tenho muita vontade de conhecer a Coréia do Norte. Nem sei explicar direito quando isso surgiu, mas desde que soube da existência dela quando eu estava no ensino fundamental estou sempre lendo e pesquisando a respeito… Por isso não podia deixar de conhecer a DMZ quando estive na Coréia do Sul, no fim do ano passado.

A Zona Desmilitarizada da Coréia é uma faixa de segurança que protege o limite territorial de tréguas entre as repúblicas coreanas, estabelecida em 1953 e que constitui a fronteira entre os dois países. Ela tem 4 km de largura e 238 km de comprimento, onde ninguém mora, apenas guardas de fronteira se revezam para que nenhum cidadão consiga atravessá-la. No meio da Zona Desmilitarizada fica a localidade de Panmunjon, onde se estabeleceu o armistício da Guerra da Coreia. Por ser um lugar inabitado, muitos coreanos consideram essa faixa um lugar rico ecologicamente, onde plantas e animais são livres… Mas pra quem já morou no interior do Brasil isso não é nada de outro planeta, né?

Eu pesquisei as diferentes formas de conhecer a DMZ por muito tempo, acho que uns 3 anos antes de ir para a Coréia do Sul eu já conhecia esse passeio e sabia muito bem o que eu queria ver. Existem inúmeras agências de turismo que realizam esse tour saindo de Seul e os preços não variam tanto, muito menos os roteiros, já que eles são minuciosamente controlados pelas autoridades dos dois países.

Na minha opinião, as opções mais legais para quem deseja realizar o passeio são: 

  • O tour matinal pelas áreas comuns da DMZ, que dura 6 horas (clique aqui);
  • O tour completíssimo pela DMZ, em que você conhece os lugares mais tensos durante 9 horas (clique aqui);
  • O tour de bike, que tem que saber andar de bike (eu não sei) e parece muito legal, clique aqui para saber sobre ele.

Depois de tantos anos aguardando esse momento chegar, nem preciso dizer que eu queria fazer o tour completo, né? Ainda que isso fosse me custar mais de R$ 400 para um dia de passeios entre soldados, rs. Então antes de sair do Brasil eu já entrei em contato com vários escritórios de turismo e fui pesquisando, pra ver quem ainda tinha vagas disponíveis nos dias que eu queria. Foi então que todo mundo me respondeu que, a não ser que eu quisesse legar uma galera comigo, não dava pra eu reservar com tanta antecedência, eu precisava ficar de olho nas datas no site e ligar ou mandar e-mail 4 dias antes do dia do tour para garantir a minha vaga e combinar para que eles me buscassem no hotel.

… Na hora eu não suspeitei, mas agora escrevendo pra vocês eu percebo que estava bom demais pra ser verdade, né? rs. Eu tinha 8 dias inteiros em Seul e me disponibilizei para realizar o tour em qualquer um deles, então comecei a mandar e-mails para as cias de turismo que eu havia pesquisado, uma a uma, tentando agendar o tour e não obtive sucesso algum. Esse tour mais complexo não acontece diariamente, ele é realizado em média 3x por semana, mas na prática são diversos os motivos que podem fazer com que ele seja cancelado. Um deles é a baixa procura, já que eles levam um ônibus de viagem bem grande e não deve valer muito a pena se ele não for pelo menos meio cheio, né? Resumo da ópera, eu tive que fazer o tour básico e mesmo assim só consegui porque o recepcionista do meu hotel se dispôs a ficar na missão, ligando pra vários escritórios de turismo, até que um deles tivesse vaga e topasse nos levar. Fiquei um pouco chateada, não vou mentira pra vocês hahaha, mas antes isso do que nada, né?

É bem fácil participar desse tour! Eles marcam um horário e buscam você na recepção do seu hotel com uma van, que deve passar em outros hotéis depois e no fim de tudo te leva para um ônibus, onde outras vans se encontram e despejam seus passageiros até o ônibus mais ~vintage~ que eu já vi na minha vida. Quando o moço te busca você deve fazer o pagamento do tour, sempre em dinheiro e de preferência sem que o troco seja necessário. Esse ônibus viaja mais ou menos por uma hora até chegar na DMZ e por todo o caminho o guia vai explicando coisinhas sobre a Coréia, sobre a Coréia do Norte e também perguntando sobre as nossas origens. O inglês do nosso guia era sofrido, mas inteligível na maioria dos casos.

Quando a gente chega finalmente ao hall da DMZ o moço explica o que pode, o que não pode e a ordem dos acontecimentos. É nessa primeira parada do ônibus onde estão as lojas de souvenirs mais legais, apesar do guia dizer o contrário. No nosso tour ele insistia muito pra gente não comprar nada lá e comprar tudo na última lojinha, mas esse é um erro terrível… Estou arrependida até agora hahaha. Não sei se todos são assim, mas o meu guia ficava apressando a gente demais, era um pouco alucinante e eu tentava ser sempre rápida em tudo pra ele não ficar brigando comigo. Hoje em dia eu faria de uma maneira diferente, levaria o tempo necessário para fazer as minhas ações com tranquilidade e deixaria ele esperando, afinal nenhuma cia de turismo pode largar passageiros na DMZ e continuar com a sua licença, né? E esse é um dos tours que mais dá dinheiro pra elas. Esse post não tem muitas fotos justamente por um motivo chato da DMZ: não pode tirar foto da maioria das coisas legais que tem lá. Eu vejo na internet alguns blogueiros que conseguem tirar meio escondido, mas o meu guia era muito espero quanto a isso, se a câmera estava destampada ele já ficava causando, então não rolou uma ilegalidade.

A primeira coisa que a gente faz por lá é assistir um filme, em um teatro meio moderninho porém pequeno demais para a quantidade de visitantes que tem bem no hall de entrada da DMZ. Sinceramente, por mais que eu tenha um amplo interesse pela cultura norte-coreana, eu não acho que eles estejam mais corretos ou mais errados em relação à guerra. Até porque não conheço nenhuma das duas Coréias tão bem e obviamente, não estava lá para ver o que realmente aconteceu. Mas esse filme que eles passaram na nossa chegada me incomodou muito, meio que fez com que eu nem conseguisse curtir tanto o resto do passeio, pra mim quebrou a magia. Existe algo na forma dos sul-coreanos contarem essa história da guerra que me incomoda um pouco, foi assim nesse teatro e também no trem que liga o aeroporto ao centro da cidade, onde ficava passando um comercial sobre uma briga entre a Coréia do Sul e o Japão, por causa de uma ilha. Nessa história também não sei até agora quem estava certo ou errado, mas o tom de sensacionalismo era o mesmo… E não era exatamente o que eu estava esperando assistir nos meus primeiros 30 minutos no país.

Encerrada a sessão de cinema nós fomos direcionados para algo como um museu, que tem logo atrás. Lá nós pudemos ver várias réplicas em tamanho real de soldados trabalhando em túneis de invasão e principalmente armas, muitas armas. Eu acho que nunca vi tantas armas em toda a minha vida! Mas achei legal que  elas não era réplicas, como vocês sabem eu detesto réplicas em museus. Depois disso chegou a hora mais legal e mais terrível do passeio: andar pelo terceiro túnel de infiltração, um dos quatro túneis escavados pelos norte-coreanos para facilitar uma invasão à Coréia do Sul. É incrível, acho que foi um dos lugares mais legais que eu já conheci na vida, como eu sempre li muito sobre isso, pra mim foi bem emocionante, muito legal mesmo. Porém, é um túnel com mais de 1,5km de comprimento e é uma descida (e depois uma subida, óbvio) de 73 metros de altura. O ar era extremamente úmido, pesado e quente, então foi uma parte muito cansativa pra mim, eu passei muito mal da asma e por vários momentos pensei que não ia conseguir terminar essa parte do tour, foi um perrengue imenso que nunca esquecerei… Sem falar do fato de eu ter sido a última a chegar em uma turma com mais ou menos 50 pessoas, rs.

Depois disso a gente foi em mais algumas lojinhas que haviam por alí e compramos lembrancinhas e comidas típicas norte-coreanas… Que sinceramente só valem a pena por causa do hype, não tem nada que seja ~nossa que delícia, preciso ir pra Coréia do Norte pra comer isso todo dia~, rs. Mas é legal, né? Pelo menos eu, que sou meio tontinha com essas coisas, achei incrível ter a disposição chocolates, balas e bebidas alcoólicas do tio Kim, sem falar que os preços não são superfaturados, apesar do caminho bizarro que as coisas percorrem. Como esses produtos não podem cruzar diretamente a fronteira em uma viagem da Coréia do Norte à Coréia do Sul, eles saem da Coréia do Norte, vão pra China e de lá partem para a Coréia do Sul… Um grande trampo para umas comidas tão normais, rs. Ah, também dá pra comprar pedaços de arame farpado oxidado, que já foram utilizados nas cercas que dividem os dois países e isso sim é superfaturado, acreditem.

Depois disso rola a parte do passeio que eu mais amei! Olhar pelos binóculos do Observatório Dora, ou seja… Ver as casas da Coréia do Norte. Para realizar essa parte do tour com maestria, leve muitas moedas, afinal são elas que ativam o zoom da coisa. Achei bem legal e fico muito triste que seja impossível registrar tudo o que eu vi, na verdade eu fui a pessoa do meu grupo que mais ficou nos binóculos, é uma experiência bem interessante. O mais louco é que é possível observar duas vilas e uma delas é de mentira, ninguém vive lá e ela serve apenas para publicidade, pra galera ver e achar moderno e legal, apesar de nem ser tão moderno assim. Já a segunda vila é habitada e tem construções interessantes, mas me deixou meio curiosa, porque eu fiquei olhando muito tempo e mesmo sendo horário de almoço, não tinha ninguém andando na rua. Que louco, né?

Depois disso chega a última parte do passeio, também muito interessante! Visitamos a estação de trem de Dorasan, que é a primeira parada rumo à Coréia do Norte! Ela é bem linda e moderna, nosso guia disse que está prontinha para a unificação das Coréias e que de lá será possível viajar por toda a Eurásia, mas sinceramente acho que ninguém vê isso acontecendo tão cedo, né? Tive a impressão de que é mais um lugar turístico mesmo, pra mostrar que a Coréia do Sul está com tanta vontade de unificar que já está deixando todos os detalhes prontos… É um pouco esquisito e talvez marketeiro, sei lá, rs.

De qualquer forma, é possível comprar os bilhetes da estação como souvenir e os meus viraram quadros legais na parede de casa hahahaha. Ah! Outra coisa engraçada é que por lá tem várias fotos do ex-presidente George Bush, parece que essa estação ganhou a atenção mundial e se tornou um famoso ponto turístico depois que ele a visitou.

Uma vez que a gente saiu da estação, começamos a voltar para Seul… Todos as outras coisas que vimos da DMZ foi sem sair do ônibus, mas achei ok porque eu estava bem cansada por causa do túnel da asma, rs. A volta é bem tranquila e dá pra curtir mais as paisagens, porque o guia fala bem menos e as crianças que ficam causando durante a ida, já estão com sono também hahahaha. Antes de nos levar de volta, o ônibus para em uma loja de jóias, que nos roteiros está designada como Amethyst Centre, mas sinceramente até agora não entendi o motivo desse lugar ser incluído no tour. Não tem nada a ver, não é interessante e não entendo qual a relação entre as temáticas, então pra mim essa é apenas uma parte chata onde a agência de turismo tenta ganhar comissão em cima de possíveis compras. O chato é que essa parte levou mais ou menos 1h, porque muitas pessoas realmente queriam assistir a palestra sobre ametistas, mas depois disso fomos embora e acho que só umas 3 pessoas fizeram compras por lá. Apesar de na ida a agência pegar cada um no seu próprio hotel, na volta eles deixam a gente apenas em pontos centrais da cidade, a não ser que você esteja em um grupo bem grande. Pra gente não foi problema, porque eles pararam no Lotte Hotel e ele ficava realmente bem pertinho de onde estávamos hospedados (clique aqui para saber mais sobre os hotéis que escolhemos).

No fim das contas eu gostei desse passeio, com certeza gostaria muito mais se tivesse feito o tour completo, mas acho que conhecer a DMZ coreana, mesmo que de uma maneira superficial como eu fiz, é fundamental no roteiro de qualquer um que vá para a Coréia do Sul. Ir lá e não fazer isso pra mim é meio que perder a viagem, até porque foi o que eu mais gostei de fazer por lá, vale muito a pena! Eu acabei comprando meu tour com a Cosmojin e gostei do que eles ofereceram, além do mais é a agência que tem o site mais legal e completinho, sem falar que eles oferecem muitos outros tours que parecem incríveis, então vale a pena dar uma pesquisada antes de ir pra lá. Espero que tenham gostado das dicas! Qualquer dúvida que vocês tiverem a respeito desse passeio é só deixar nos comentários que eu respondo, combinado? Mil beijos e até mais tarde <3

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