Gundam Front Tokyo

Desde que voltei do Japão, eu, Raoni Marqs, sinto saudade de qualquer coisa que eu me lembre de lá. É verdade que a maioria delas é sobre comida (oh, delicioso sushi!) e muitas são só sobre a sensação de estar lá (era tão tranquilo…). Mas a mais recorrente não tem a ver com nada disso.

Aquele país é um lugar muito mais mágico, impressionante e agradável do que eu imaginava: as pessoas são educadas e prestativas, os lugares são lindos, limpos e organizados, os brinquedos são incríveis e baratos e as comidas são todas deliciosas.

Mas o melhor lugar no Japão não pode ser comido nem comprado; você não pode conversar com ele, andar nele, entrar nele e ele não faz muita coisa; ao contrário de centenas de pontos turísticos que estão lá há centenas de anos, esse foi erguido em 2009…

A coisa mais legal lá foi ver a estátua de 18 metros do Gundam RX-78-2: o modelo original da primeira série Gundam que estreou em 1979.

Pra ter uma ideia de quanto tempo isso faz, 79 foi quando o Sid Vicious do Sex Pistols morreu, a Margaret Thatcher foi eleita pela primeira vez, o Adam Levine do Maroon 5 estava nascendo e o McDonald’s inventou o McLanche Feliz: 1979 faz muito tempo.

Tudo o que aconteceu naquele ano já mudou loucamente: o Sid Vicious virou um mártir antigo; a Margareth Thatcher já virou heroína, vilã e heroína de novo; o Adam Levine já é uma das pessoas mais famosas no planeta e a gente tem certeza de que o McLanche Feliz sempre existiu.

Mesmo assim, o Gundam RX-78 continua uma obra-prima – não importa quanto tempo passe e quantos novos robôs fiquem famosos, esse ainda é discutivelmente o robô mais legal de todos os tempos.

Se você não sabe a história da gloriosa franquia Gundam, o segredo do sucesso dela não foi só o design magnífico do herói (e do vilão, o Zaku II), mas foi a ideia de que os robôs gigantes nesse universo eram máquinas construídas em série como armas pra fins bélicos, como Tanques ou Jatos.

(ele não era tão legal em 79…)

Todo robô gigante anterior ao Gundam era uma criatura mágica, companheira fiel de alguma criança boa. Mas aqui, robôs eram armas enormes que podiam não funcionar direito, precisavam de consertos – eles eram veículos e não personagens.

Justamente por isso, a estátua em escala real do Gundam RX-78 em Odaiba, a Conney Island de Tóquio, é tão legal: cumprindo esse propósito de ser uma máquina, o Gundam não só é exatamente como no anime, como ele é coberto de avisos e instruções em cada pedacinho do corpo dele.

Assim como portas de aviões, o interior de vagões do metrô ou até tampas de panelas elétricas, o Gundam é forrado de alertas como “Aviso: Porta Móvel”, “Apenas pessoal autorizado” ou “Trava Manual” – o modelo todo está forrado desses.

Mas não é preciso olhar tão de perto pra gostar dessa atração: de dentro do Diver City, o shopping onde fica o RX-78, já dá pra ver os pezinhos desse monumento à nerdice.

Quando você sai pelas portas do shopping, você dá de cara com as costas dele e já é uma das sensações mais surreais da sua vida (se você tiver um coração).

O Gundam tem uns 18 metros e fica na área externa de um shopping. O Cristo Redentor tem 31 metros, fica no topo do corcovado e foi eleito uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno.

Não me leve à mal: o Cristo Redentor é incrível. Mas o Gundam é mil vezes mais legal. Não é uma questão de religião ou respeito ou qualquer critério que possa passar pela sua cabeça: um robô gigante em tamanho real simplesmente desperta muito mais emoções em mim do que todas as coisas que eu já vi na vida.

Como se não bastasse, o Gundam ainda acende luzes, mexe a cabeça e solta fumaça dos exaustores no peito dele o dia todo. Mas, durante a noite, todo um show de luzes acontece enquanto um anime exclusivo de 11 minutos é exibido num telão de 32 metros por 11 metros e meio atrás do Gundam – incluindo os pilotos que aparecem dentro do cockpit!

Esse show rola toda noite, às 19:30, 20:30 e 21:30, e todo mundo se senta aos pés do robô gigante antes de começar. É uma verdadeira comunhão: várias pessoas sorridentes esperando pra assistir um vídeo com um show de luzes feitos só pra acompanhar uma réplica de um robô de 18 metros que já é incrível por si só.

Em Odaiba está o prédio da Fuji TV, mais conhecido como o cenário da batalha contra o Myotismon em Digimon Adventure 02; a Daikanransha, uma das maiores rodas-gigantes do mundo; o Baratie, do restaurante temático do One Piece; o Joypolis, um parque de diversões indoor da Sega; e mais um punhado de coisas…

Nenhuma delas foi mais legal do que só olhar para o Gundam.

Pra quem é do rolê, logo ao lado do RX-78 tem um container onde eles vendem muitos kits de robôs da série pra você montar – com vários modelos que eu só vi por lá e em uma ou outra loja especializada com um acervo enorme.

Do outro lado está o Gundam Cafe, onde eles vendem capas para celular, pratos, hashis, cadernos e todo tipo de coisas em formatos ou tema de Gundam (até crepes no formato do RX-78 eles tinham). É só entrar e comprar tudo o que der vontade.

Além disso tudo, pra quem ainda estiver ávido por mais e mais robôs, no sétimo andar do Diver City (o shopping onde está o Gundam) está o Gundam Front, um mini parque de diversões/museu sobre toda a série Gundam (onde eu e a Helô nem conseguimos ir porque não deu tempo). Lá eles tem mais produtos, mais robôs e tudo o que você pode querer nessa vida que tenha Gundam no nome. A entrada custa 1.000 ienes e você pode comprar na hora.

Se você está indo para o Japão e vai passar por Tóquio, faça um favor a si mesmo e faça uma pequena viagem de trem até Odaiba para visitar esse monumento ao maior robô gigante na história dos robôs gigantes. Se você tem o menor espacinho para robôs no seu coração, vai valer cada segundo.

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Japão e Coréia do Sul: o roteiro da minha viagem!

Sabe aquelas coisas que a gente rabisca, reescreve, calcula, rabisca de novo e muda tanto de ideia que nós sabemos o que significa? Digamos assim que o meu roteirinho para conhecer o Japão e a Coréia do Sul é mais ou menos assim! Eu amo planejar coisas e pesquisar viagens, mas às vezes sou tão obcecada e minuciosa, que só eu entendo os detalhes hahahah.

Apesar disso muita gente me pediu pra postar meu roteiro aqui e eu vou citá-lo em muitos posts que entrarão aqui no blog nos próximos dias, por isso achei melhor compartilhá-lo com vocês, mesmo com a minha baguncinha hihihi. Até porque ter um roteiro detalhado é extremamente necessário para conseguir o visto japonês, uma vez que eles pedem reservas de hotéis, perguntam sobre pontos turísticos e sobre várias outras coisinhas que te impedem de fazer aquela loucura libertadora que é chegar em um destino sem saber o que fazer, sem reservas e sem saber onde você está se metendo. Quando fiquei sabendo dessa exigência me assustei um pouco, porque pensei que ia ser bem difícil planejar sozinha a minha viagem para o Japão, mas no fim foi mais fácil e prazeroso do que eu imaginava, mal posso esperar para começar tudo outra vez!

Sobre a Coréia, infelizmente eu não tenho esquematizado tudo o que eu fiz em cada dia, porque precisei organizar boa parte do roteiro quando cheguei lá, por causa de um passeio na Zona Desmilitarizada que tinha um agendamento meio confuso, mas que eu explico melhor em outro post. Acabou que achei melhor assim, porque alguns passeios que eu vi na internet (no próprio site de turismo de Seul) e que fiquei morrendo de vontade de fazer, quando cheguei nos endereços descobri que não existiam mais (o Museu do Kimchi é um deles, tirem dos seus roteiros…), então foi bom ter liberdade pra montar o roteiro na hora e fazer o que dava na telha por lá! Mas no Japão o planejamento foi realmente fundamental, então se você pretende fazer essa viagem em breve e ainda tá meio na dúvida de como se organizar, confira abaixo o meu humilde roteirinho:

  • 10/09: saída de São Paulo às 2h45. Chegada em Doha às 23h.
  • 11/09: saída de Doha às 7h35. Chegada em Tóquio às 23h25, aeroporto de Haneda.
  • 12/09: Tentar trocar o JRPass em Haneda, se não conseguir, ir até Shinagawa para trocar o JRPass e de lá, viajar para Osaka (Kodama Train/4h). Hospedagem no hotel For Leaves Inn Uehonmachi.
  • 13/09: Osaka – Hotel For Leaves Inn Uehonmachi (passeios em Namba e Shinsekai) Kaiyukan Aquarium Osaka (2300 ienes cada ingresso + 650 ienes metro, sobe da Tsuruhashi e desce na Osakako).
  • 14/09: Osaka – Hotel For Leaves Inn Uehonmachi (passeio em Nara) Ir ate JR Nara e andar até Todaiji Temple (500 ienes para entrar)
  • 15/09: Osaka – Hotel For Leaves Inn Uehonmachi (passeio em Kyoto) Fushimi Inari Shrine (lugar com vários toriis, tem que pegar metro JR), Gion Street (rua das gueixas), Internacional Manga Museum (800 ienes), Nishimi Market.
  • 16/09: Osaka – Hotel For Leaves Inn Uehonmachi – Castelo de Osaka (600 ienes) – Pegar o metrô na Tsuruhashi JR.
  • 17/09: Ir Para Tóquio – Hospedagem no Hotel Listel Shinjuku
  • 18/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Odaiba –  Diver City Tokyo (1040 ienes + 1200 ienes para ver Gundam)
  • 19/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Ghibli Museum (1000 ienes de entrada + 440 ienes de metrô)
  • 20/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Passeio em Akihabara (340 de metrô)
  • 21/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Tokyo Game Show (1200 ienes de entrada + 1280 de metro)
  • 22/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Tsukiji Fish Market – chegar às 4h30 da manhã – Torre de Tóquio (1600 ienes para entrar + 400 ienes de metrô), Centro Pokémon.
  • 23/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Passeio em Shibuya (320 ienes de metrô) ver a estátua de Hachiko.
  • 24/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Dia Livre
  • 25/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Dia Livre (ir em Hakone ou talvez na base militar)
  • 26/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Passeio em Azakuza (340 ienes de metrô)
  • 27/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Passeio em Ginza (400 ienes de metrô)
  • 28/09: Tóquio – Hotel Listel Shinjuku – Passeio em Harajuku (300 ienes de metrô)
  • 29/09: Ir para a Coréia do Sul saindo do Aeroporto de Narita às 17h. Chegada em Seul às 20h. Hospedagem no Saerim Hotel.
  • 30/09: Seul – Saerim Hotel
  • 01/10: Seul – Saerim Hotel
  • 02/10: Seul – Saerim Hotel
  • 03/10: Seul – Saerim Hotel
  • 04/10: Seul – Saerim Hotel
  • 05/10: Seul – Saerim Hotel
  • 06/10: Seul – Saerim Hotel
  • 07/10: Seul – Saerim Hotel
  • 08/10: Retorno para Tóquio. Saindo de Seul às 10h e chegando ao Aeroporto de Narita 12h30. Hospedagem no Hotel Best Hotel – Passeio em Shibuya
  • 09/10: Tóquio – Dia livre em Shinjuku – Sair para o aeroporto às 18h.
  • 10/10: saída de Tóquio 1h da manhã, aeroporto de Haneda. Chegada em Doha às 6h40. Saída de Doha às 8h. Chegada em São Paulo às 16h40.

Os sites que eu usei como referência na hora de montar meu roteiro foram japan-guide e Hyperdia… Sem eles acho que teria sido impossível planejar essa viagem sozinha, então já coloquem nos favoritos.

Sobre os hotéis que estão indicados no meu roteiro, eu já fiz um post aqui no blog falando de cada um deles, então se você procura por opções de hospedagem bem localizadas, mas que não custam uma fortuna, clique aqui para saber mais! Vale lembrar também que os valores citados no roteiro são por pessoa e que as passagens de metrô podem ter seus preços alterados de acordo com a estação de embarque, eu estava hospedada pertinho da estação Shinjuku-JR, então se você estiver pelas redondezas não deve fazer muita diferença. Na próxima segunda-feira também entra aqui no blog um post detalhando todos os gastos que tive na viagem e ainda alguns orçamentos de como seria possível realizar esse sonho da maneira mais econômica do possível… Então se você ainda está na fase de juntar dinheiro, talvez tenham dicas muito legais aqui no blog! <3

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