Sobre meter o louco e Aziz Ansari

Eu não sou de me envolver com polêmicas e de fazer textões em redes sociais, porque as pessoas geralmente discutem temas sobre os quais eu tenho a absoluta certeza do meu posicionamento e sinceramente? É isso que importa pra mim, eu não sou exatamente o tipo de pessoa que se importa muito com o que os outros pensam e vocês já devem ter percebido isso, rs. Mas desde o último fim de semana, em todos os meus momentos ociosos eu me pego pensando:

Por que Aziz Ansari, o homem mais legal do mundo, entrou nessa roubada?

Vamos deixar claro desde já, que eu não tenho ainda absoluta certeza de que a roubada em questão é ter abusado sexualmente de alguém, porque vou ser sincera em dizer que eu ainda não concluí que esse é o meu desfecho pessoal dessa história e é justamente por isso que não paro de pensar sobre ela… A roubada a qual me refiro é essa situação toda, logo ele, essa pessoa a qual tenho em um altar imaginário.

aziz

Eu tive uma infância muito difícil no que diz respeito à ídolos, porque pelo menos entre as criancinhas da minha escola, ter um ídolo era muito importante, afinal você fazia amigos com base nas coisas que você gostava… Ou fingia gostar pra fazer esses amigos, rs. Eu sequer conseguia fingir e demorei muito pra gostar de músicas, dai quando comecei gostava só delas e nem ligava pra quem cantava, não achava nenhum artista bonito. Na verdade eu sou um pouco complicada nesse aspecto porque até hoje sou assim, eu não ligo muito para celebridades. Até que um dia eu conheci Aziz Ansari e tudo mudou!

Sério, se tem uma pessoa que é fã desse cara no mundo, com certeza essa pessoa sou eu e já há alguns anos que eu finalmente tenho uma resposta para a pergunta "se você pudesse conhecer qualquer celebridade do mundo, qual seria?" Eu sempre falo Aziz Ansari… Quase ninguem sabe de quem eu estou falando quando eu respondo, mas tudo bem, eu respondo mesmo assim, porque realmente não há nada que esse homem já tenha supostamente feito ou falado que eu não ame completamente, até fim de semana passado é claro.

Provavelmente eu já li todas as matérias sobre o (suposto) abuso cometido pelo Aziz que estão na internet, em português, em inglês e até em japonês achei uma. É bem curioso porque mais do que nunca pude perceber como um jornalista ou redator pode mudar completamente a cabeça de alguém. Se eu tivesse lido somente a primeira matéria, teria certeza de que Aziz é um babaca abusador, daí na segunda matéria já achei que ele é um fofo injustiçado, depois passamos para a fase dele ser um cara sem habilidade alguma para se relacionar com seres vivos, depois ele passou a ser um encontro ruim que alguém teve e agora estou vendo os textos voltarem para a temática babaca abusador novamente… Eu sinceramente não sei direito porque óbviamente (ou infelizmente) eu não estava lá e ainda que eu leia simplesmente tudo o que sai sobre ele na mídia há anos, eu não o conheço pessoalmente e sequer sei qual é o background dessa fotógrafa que foi (supostamente) abusada, porque nem sabemos exatamente quem é ela. Mas ainda que eu não consiga decidir e esteja um pouco confusa como quase todo mundo, essa confusão toda me fez pensar um pouco sobre algumas coisas e a principal delas é: por que raios várias vezes as pessoas fazem coisas que não querem fazer?

Tenho pensado bastante sobre isso porque por algum motivo, talvez terapia, há alguns poucos meses eu simplesmente parei de fazer coisas que eu não estivesse realmente interessada em fazer – não falo de trabalho, porque sinceramente eu sempre fui assim profissionalmente, se eu não gosto de algo eu não quero me envolver, mas como todo mundo que habita nosso planeta, eu já fiz vários favores que não queria fazer, já saí de casa muitas vezes que queria ficar vendo Netflix, já assisti muito Netflix quando queria olhar pro teto, já participei de diversos eventos que envolviam me relacionar com outras pessoas, quando no máximo quem eu queria ver era minha cachorra, dentre uma infinidade de coisas que vocês podem imaginar quais são porque já fizeram igualzinho, rs. Por muito tempo eu achei que ser polida e adulta era fazer isso, por muitos anos eu pensei que nem sempre eu poderia fazer só o que eu queria e me sentia uma pessoa muito rude em dizer não em vários momentos, nem falo só de coisas complicadas. Mas recentemente eu tive o estalo de que é exatamente o contrário, ser uma pessoa empoderada é justamente ser justa comigo mesma e sincera nas minhas ações e palavras, na verdade eu até aprendi a continuar sendo uma pessoa gentil e polida dessa forma, o que é mais libertador ainda.

Talvez essa fotógrafa não tenha sido tão incisiva quando ela demonstrou que não queria fazer sexo com Aziz Ansari justamente porque ela não queria ser grossa, não queria magoá-lo, não queria criar uma situação ruim naquele momento entre eles… Existem muitos motivos, assim como também são muitas as coisas que te levam a se arrastar para sair com colegas quando você sequer está interessada na companhia deles. Para essas e muitas outras coisas na vida, a dica é: meter o louco. Hoje em dia não tenho vergonha alguma de dizer que as coisas mais importantes da minha vida só aconteceram porque eu meti o louco, já saí de muitas situações perigosas, tristes e até algumas constrangedoras por meter o louco, por fazer algo crucial naquele momento, independente do que pensariam da minha ação. A gente sabe que muitas mulheres são estupradas e meter o louco nem sempre é a melhor solução, porque isso pode custar a vida delas… Mas também conhecemos muitas histórias em que meter o louco foi justamente o que salvou alguém – trata-se de afinar a comunicação com quem nós somos de verdade, com o que precisamos, com o que queremos, com o que importa para a nossa felicidade e sobreviência. Essa moça que saiu com o Aziz aparentemente não corria risco de vida, ela podia ter metido o louco, levantado, dado uma surtada sobre ele ignorar as negativas dela e ter ido embora imediatamente. Ele ia achar ela meio doida, mas não importa, aparentemente ela não quer tê-lo na vida dela depois que o conheceu melhor e se um dia ela achasse que essa amizade valia a pena, era só explicar, se de fato tivesse valor, ele ia entender. Sei que falando assim parece que eu acho que a culpa do estupro é da vítima, mas eu jamais pensaria isso, porém infelizmente nós vemos todos os dias que muitas vezes não temos com quem contar em momentos difíceis, como no momento de um abuso, por exemplo, onde uma pessoa em que até então confiávamos, se torna nossa maior insegurança. Ninguém tem culpa de ser abusado, mas se sair da situação depende de uma ação que faça você parecer uma pessoa grossa, louca ou deselegante, não pensa duas vezes, mete o louco – quase todo mundo é mais forte do que imagina para lidar com situações interpessoais que não envolvem violência, então você é capaz de sustentar seu louco interior, confia.

No fim das contas, provavelmente contei uma história longa para uma mensagem residual curta e ainda assim nem consegui expor todos os detalhes mágicos que essa confusão triste despertou em mim. No resumo, acho que ninguém vai sair ganhando dessa situação, porque ainda que a fotógrafa esteja falando a verdade, isso não muda os fatos, ela queimou o Aziz e por um bom tempo todos vão se lembrar disso, mas se ela de fato for uma pessoa boa, isso não vai fazê-la feliz pra sempre, porque não há prazer saudável em se vingar e toda vez que ela o vir por aí sendo divertido e famoso, ela ainda vai se lembrar de um dia triste. Já se Aziz for inocente e a superma corte da internet decidir que não pode ser considerado abuso o que ele fez, no fim das contas toda uma situação extremamente desagradável já aconteceu e sinceramente, acho que até o prêmio que ele merecidamente ganhou foi ofuscado por essa queimação de filme.

O mais curioso é que tudo isso que aconteceu parece até escrito pelo Aziz Ansari, porque esse tipo de discussão que ronda a minha cabeça nos últimos dias é exatamente o tipo de coisa que os trabalhos dele trazem, então é irônico porque na minha opinião nem o próprio Aziz Ansari sabe se de fato abusou dela ou não – pelo visto na cabeça dele estava tudo bem e as mensagens que ele enviou no dia seguinte para a fotógrafa provam isso – ou será que ele estava metendo o louco? Talvez ele tenha me ensinado esse conceito, nunca saberemos, rs.

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