Passeando em Shibuya

Como pode o cruzamento mais movimentado do mundo ser um lugar organizado e agradável? Foi a primeira coisa que eu me perguntei quando saí da estação de metrô de Shibuya, no meu primeiro dia em Tóquio. Fui até lá para ver de pertinho a estátua do Hachiko, o cachorro mais fiel do mundo, mas foi só olhar um pouquinho mais adiante que eu percebi o quanto aquele bairro seria inesquecível e especial na minha vida.

Desde o começo do planejamento da nossa viagem à Tóquio foi uma grande dúvida escolher um bairro para se hospedar. Eu queria algo na Yamanote Line (uma linha circular bem prática, que dá acesso aos principais destinos turísticos da cidade) e também queria um lugar que fosse incrível para passar um dia tranquilo, assim quando estivéssemos cansados ou não quiséssemos andar de metrô, era só andar um pouco para estar no centro de tudo.

Com essas características em mente, fiquei em dúvida entre Shibuya e Shinjuku e a acabei escolhendo Shinjuku, porque apesar de ser igualmente cosmopolita, esse bairro é um pouco mais tranquilo e familiar. Não me arrependo nada dessa escolha e recomendo pra todo mundo esse bairro para hospedagem (inclusive indiquei meu hotel aqui), mas o equilibrio perfeito aconteceu porque eu acabei indo várias vezes para Shibuya! Curtia uma baguncinha organizada durante o dia e a noite voltava para o meu bairro favorito nesse mundo <3

Chegar na estação de Shibuya é mágico e ao mesmo tempo inusitado, porque enquanto você não sai das catracas tudo é organizado e pacato, a gente chegou até a duvidar que estávamos na estação certa, já que a rede metroviária do Japão é bem grande e existem muitas estações por bairro. Mas não tinha erro, foi só pegar a saída mais próxima e lá estava ele, o Hachiko, por todas as partes. Na saída da estação tem uma parede de pedras coloridas bem bonita em homenagem a ele, daí logo na frente está a estátua. Sempre cercada por pessoas tirando fotos!

Foi a realização de um sonho tirar uma foto com ele, porque eu sou muito fã dessa história. Pra quem ão conhece, vale a pena assistir o filme, que chegou no Brasil com o nome “Sempre ao Seu Lado”. Conta a história de um cachorro, que vai todos os dias à estação esperar o dono voltar para casa. Só que, um dia, o dono morre, mas o fiel amigo segue esperando por ele por vários anos até morrer… E isso aconteceu exatamente na saída dessa estação, só que em 1935. Hoje em dia, na faculdade que o dono do Hachiko dava aulas tem uma nova estátua, que simula o encontro perfeito, o homem e o Hachi finalmente juntos pela eternidade… Deve ser muito bonita também, se um dia for ao Japão novamente (torçam por mim!), eu certamente quero visitá-la.

Eu Não conheço esse moço, mas ele tava tão feliz e fotogênico, né?

Além de ser legal tirar a foto e admirar o monumento, vale a pena reservar um tempinho extra pra sentar por alí, porque é muito fofo observar todo mundo tirando suas fotos com a estátua do cachorro. Todo mundo já teve ou tem um animal que amou e muitas vezes é visível a reflexão dos turistas a respeito disso quando se encontram com Hachiko, além de extremamente fofo, é emocionante.

Depois disso, é hora de partir pra bagunça… Mais organizada da sua vida! Quando os semáforos do principal cruzamento de Shibuya estão fechados e as pessoas começam a se aglomerar em frente às faixas de pedestres, a única coisa que dá pra pensar é “eu não vou conseguir ir”. É muita gente, mais gente do que eu imaginava e por alguns instantes entrei em pânico por estar no meio da multidão. Mas daí o sinal abre para nós, os pássaros cantam (o áudio de pássaros cantando, no Japão, é um sinal para aqueles que não enxergam que é hora de atravessar) e magicamente tudo dá certo. Não sei se inconsciente coletivo ou apenas os bons modos dos japoneses, mas ninguém se esbarra, ninguém corre e muito menos fica pra trás, tudo se organiza e quando você percebe, atravessou uma das ruas mais importantes do mundo. Nunca andar foi tão emocionante pra mim, rs.

Do outro lado da rua? Uma infinidade de lojas e shoppings! Algumas das lojas mais famosas e legais do Japão estão por lá, as maiores filiais de redes estrangeiras também. É difícil se segurar e impossível terminar esse passeio sem estar carregando muitas sacolas! Até eu e o Raoni que não somos tão empolgados com compras íamos embora nos arrastando, de tanto carregar coisas hahahaha.

Divando em uma Bershka gigante e neon, enquanto seguro as compras do Raoni

Pra quem quer comprar moda japonesa também é uma excelente opção, já que alguns dos shoppings mais famosos do país estão lá, como o Shibuya 109, por exemplo. Esse shopping na verdade, tem duas unidades diferentes, cada uma de um lado da rua. Em um só vende moda feminina e no outro, apenas moda masculina. Fomos nos dois porque eu sonhava com esse momento desde que ganhei meu primeiro exemplar de Fruits, quando eu tinha uns 15 anos, mas sinceramente foi meio decepcionante. Até tinham algumas coisas legais pra vender nos dois, mas eram poucas e a ambientação lembrava muito aqueles shoppings da 25 de março. Nada contra a 25 de março, mas não é exatamente o que ambientava os meus sonhos, sabe? Além disso, aquele conceito Fruits também já está meio ultrapassado e infelizmente não tem tantos japoneses modernos assim pelas ruas, rs. O que foi ótimo de certa forma, porque senão além de pobre, provavelmente eu voltaria com cabelo colorido, usando todos os meus antigos piercings e pegando metrô com plataformas de 30 centímetros. Seria contagiante, hahahahaha.

Por isso se você tiver pouco tempo no bairro, esqueça esses shoppings mais famosões (tem shopping mais legal em Shinjuku e Omotesando) e caminhe nas ruas, vá à Tokyu Hands (uma das lojas mais legais do Japão é ainda mais legal em Shibuya! Clique aqui para ver o endereço), curta as lojinhas de calçadas e depois, fique muito tempo na Starbucks!

Claro, eu sou uma viciada em Starbucks e faço isso em muitas circustâncias da minha vida, mas até se você detestar café vai amar a Starbucks de Shibuya. Isso porque ela fica bem na frente do super cruzamento da saída da estação, no terceiro andar de um prédio e é toda de vidro! Ou seja: você compra um café e pode assistir de camarote toda a magia do urbanismo, todo mundo atravessando a rua e o Japão acontecendo, bem na frente dos seus olhos.

Quando você chegar à Starbucks provavelmente vai ter fila pra conseguir uma cadeira na bancada rente ao vidro da fachada, mas não desanime: vai valer a pena quando você sentar. Eu mesma não sou uma pessoa muito emotiva, né? Mas chorei quando fiquei assistindo a galera, foi um dos momentos mais lindos da minha vida e com certeza a realização de um sonho, então se você for lá, viva essa experiência por mim… E depois me conta, vai ser maneiro! 😀

Acho que se você fizer todas essas coisas que eu indiquei, que não foram muitas, já pode ir embora de Shibuya… Mas vai querer voltar! Então antes de ir ao Japão, anote todas as dicas e prepare seu coração. Até rimou <3

E vocês, também têm sonhos simples sobre lugares complicados? Mais alguém da foi pra Shibuya e tem dicas para compartilhar? Por favor, deixem nos comentários! Espero que tenham gostado do post e que possam ir conhecer essa maravilha de Tóquio logo, logo. Mil beijos e até mais <3

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