Mariazinha na Autoescola

Aprendi a dirigir jogando GTA. Meu primo sempre diz isso, e semana passada eu coloquei em prática. Eu no caso Maria Eugênia, e o primo no caso é o Pedro, irmão da Helô.

Existem coisas chatas, existem coisas burocráticas e existem coisas chatas por serem burocráticas. Tirar sua habilitação é uma delas.

O cara mata prostitutas, pedestres e policiais, mas tudo o que consegue roubar é uma Belina. Parabéns.

Não bastassem horas intermináveis de aula teórica com um cara te dizendo ‘Olha, não pode atropelar a velhinha só porque ela demora pra atravessar na faixa, ok? Tem que esperar ela terminar de atravessar para passar’ ou ainda ‘O que significa essa placa vermelha escrito PARE? Isso, muito bem, significa que você tem que parar. Parabéns pelo acerto!’, você precisa fazer uma prova respondendo perguntas como as anteriores, 20 horas de aula prática pra daí enfim fazer uma prova prática e, talvez, receber sua habilitação em uma ou duas semanas. É muito tempo. Muito. E é muito chato. E não tem em Botucatu, então precisei vir pra São Paulo pra todas essas coisas…  Ou seja, lhes sugiro duas opções para garantir sua felicidade, leitor: seja rico! Muito rico. E pague seu motorista particular, ou ainda ande de transporte público. Você pode comprar sua carta também, o que não teria nenhuma graça e seria o equivalente a usar código no GTA (ou seja, não faça isso e perderá todo seu respeito).

Esse é o Aderbal, motorista.

Eu comecei a fazer minhas aulas uma semana antes do natal, na tentativa de terminar tudo antes do final das férias e voltar às aulas com o meu possante (hahahaha muito boa essa palavra, usem mais), mas nem tudo foi fácil.

As aulas teóricas são chatas normalmente, só que eu peguei um professor inenarravelmente chato. Sério. Ele queria falar de política e de religião e de como os jovens de hoje em dia são consumistas e burros e isso e aquilo (falava e olhava pra mim, já que eu era a pessoa mais nova da sala). Depois de quase um mês de aula, enfim a prova. Essa prova é bem fácil. A probabilidade de você não passar é bem pequena. Daí que eu passei. YES, PRIMEIRA ETAPA CONCLUÍDA.

Enfim as aulas práticas: quando eu fui marcar, a secretária me perguntou se eu tinha preferência por carro ou instrutor e como o Sr. X (chamemos assim aquele professor chato da aula teórica) estava por perto, eu sabia que ele tinha um Celta e não queria ser desagradável, portanto eu disse “AI MOÇA TUDO MENOS CELTA, EU ODEIO CELTA, MUITO RUIM”. Me marcaram com um instrutor maluquíssimo, a gente se dava super bem, na primeira aula ele me ensinou a dar cavalo de pau, eu me sentia do mal mesmo, dirigia com uma mão só no volante e música alta, eu era a rainha do pedaço. Dirigia muito bem naquele Palio, durante todas as aulas o carro só morreu 5 vezes, eu andava a 120km por hora nas vias locais (o instrutor me perguntava se eu sabia que era errado, eu assentia, então estava tudo bem). Faltando duas aulas minhas aulas da faculdade voltaram, ou seja, eu gastei todas as minhas férias nisso, peguei minha mala e fui para Botucatu, onde passei cinco meses letivos longe da liberdade que só um volante e um tanque cheio te dão. Durante esse tempo eu planejei a compra de vários carros, várias viagens por via terrestre a outros países, eu era livre.

O limite.

Voltando, lá fui eu marcar as aulas finais quando descobri que meu instrutor havia sido demitido. Bom, já que eu tinha pressa pedi que marcassem com qualquer um.

Cheguei pra fazer minha aula e quem era? O Sr. X. Eu entrei naquele Celta quase chorando. Nunca dirigi tão mal na minha vida. O carro morreu umas 50 vezes, o Sr. X ficou gritando comigo e falando de religião, política, que os jovens de hoje são muito apressados, 20km/h era mais que o suficiente etc. Na aula seguinte ele não apareceu, isso mesmo, não apareceu. Uma semana depois, eu ligando pra autoescola querendo matar aquele instrutor maldito e a secretária me diz “ai amor, sua aula foi abonada, pode marcar a prova já, pode ser amanhã? Amanhã então, perfeito”.

Cheguei pra fazer a prova e o Sr. X me diz que o carro dele deu problema, então eu iria dirigir um carro que eu nunca tinha dirigido na vida. E ah! Ele tinha esquecido de me levar pra fazer uma simulação da prova. Todo mundo já tinha feito aquele trajeto, menos eu. Mas tudo bem, né?

Tem uma banda chamada Senhor X. Eles são maneiros, né?

Entrei no carro, fiz tudo o que devia fazer e fui indo beeeeem devagarinho, depois de uma curva tinha um local com quatro espaços para baliza, peguei a distância certa e fui indo devagar, esperando o “juiz” da prova (qual o cargo desse cara?) falar qual eu devia fazer. Passando a terceira ele me diz: “A TERCEIRA FILHA, FAZ A TERCEIRA”. Assustei, esqueci que já estava na distância certa e me virei. Derrubei o pauzinho da baliza. O diálogo que se seguiu foi tal:

-Está ciente que derrubou a baliza?

-LÓGICO, VOCÊ ME AVISA EM CIMA DA HORA!

-Pode seguir, vai.

Ele diz isso e abre a porta do carro. Só podia ser um teste. Ele saiu pra arrumar a baliza e passou pela minha cabeça a magnífica ideia de largar ele lá e ir embora. Eu seria uma heroína de tivesse feito isso.

Depois que ele entrou eu segui, devagar ainda, depois de passar por uma leve subida ele me diz:

-Porque você não parou na rampa?

-Eu não sabia que aqui era a rampa, e se tivesse outra pra frente? Como eu vou adivinhar?

Grazi Massafera passa na prova da habilitação. Maria não.

Fiquei com tanta raiva que, já que eu já tinha reprovado mesmo, pisei com tudo. DANE-SE O LIMITE DE VELOCIDADE. DANE-SE A PARADA OBRIGATÓRIA (dava pra passar, porque eu ia parar?). DANEM-SE AS RAMPAS E OS LUGARES PRA ESTACIONAR. Simplesmente parei o carro no final do percurso, puxei o freio de mão e fui embora. Vou ter que fazer outra prova em 30 dias. Espero apenas não pegar o mesmo ”juiz”. Espero que a experiência de vocês tenha sido melhor também, hahahaah. Beijo <3

6 Comentários sobre Mariazinha na Autoescola