Gundam Front Tokyo

8 de janeiro de 2015

Desde que voltei do Japão, eu, Raoni Marqs, sinto saudade de qualquer coisa que eu me lembre de lá. É verdade que a maioria delas é sobre comida (oh, delicioso sushi!) e muitas são só sobre a sensação de estar lá (era tão tranquilo…). Mas a mais recorrente não tem a ver com nada disso.

Aquele país é um lugar muito mais mágico, impressionante e agradável do que eu imaginava: as pessoas são educadas e prestativas, os lugares são lindos, limpos e organizados, os brinquedos são incríveis e baratos e as comidas são todas deliciosas.

Mas o melhor lugar no Japão não pode ser comido nem comprado; você não pode conversar com ele, andar nele, entrar nele e ele não faz muita coisa; ao contrário de centenas de pontos turísticos que estão lá há centenas de anos, esse foi erguido em 2009…

A coisa mais legal lá foi ver a estátua de 18 metros do Gundam RX-78-2: o modelo original da primeira série Gundam que estreou em 1979.

Pra ter uma ideia de quanto tempo isso faz, 79 foi quando o Sid Vicious do Sex Pistols morreu, a Margaret Thatcher foi eleita pela primeira vez, o Adam Levine do Maroon 5 estava nascendo e o McDonald’s inventou o McLanche Feliz: 1979 faz muito tempo.

Tudo o que aconteceu naquele ano já mudou loucamente: o Sid Vicious virou um mártir antigo; a Margareth Thatcher já virou heroína, vilã e heroína de novo; o Adam Levine já é uma das pessoas mais famosas no planeta e a gente tem certeza de que o McLanche Feliz sempre existiu.

Mesmo assim, o Gundam RX-78 continua uma obra-prima – não importa quanto tempo passe e quantos novos robôs fiquem famosos, esse ainda é discutivelmente o robô mais legal de todos os tempos.

Se você não sabe a história da gloriosa franquia Gundam, o segredo do sucesso dela não foi só o design magnífico do herói (e do vilão, o Zaku II), mas foi a ideia de que os robôs gigantes nesse universo eram máquinas construídas em série como armas pra fins bélicos, como Tanques ou Jatos.

(ele não era tão legal em 79…)

Todo robô gigante anterior ao Gundam era uma criatura mágica, companheira fiel de alguma criança boa. Mas aqui, robôs eram armas enormes que podiam não funcionar direito, precisavam de consertos – eles eram veículos e não personagens.

Justamente por isso, a estátua em escala real do Gundam RX-78 em Odaiba, a Conney Island de Tóquio, é tão legal: cumprindo esse propósito de ser uma máquina, o Gundam não só é exatamente como no anime, como ele é coberto de avisos e instruções em cada pedacinho do corpo dele.

Assim como portas de aviões, o interior de vagões do metrô ou até tampas de panelas elétricas, o Gundam é forrado de alertas como “Aviso: Porta Móvel”, “Apenas pessoal autorizado” ou “Trava Manual” – o modelo todo está forrado desses.

Mas não é preciso olhar tão de perto pra gostar dessa atração: de dentro do Diver City, o shopping onde fica o RX-78, já dá pra ver os pezinhos desse monumento à nerdice.

Quando você sai pelas portas do shopping, você dá de cara com as costas dele e já é uma das sensações mais surreais da sua vida (se você tiver um coração).

O Gundam tem uns 18 metros e fica na área externa de um shopping. O Cristo Redentor tem 31 metros, fica no topo do corcovado e foi eleito uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno.

Não me leve à mal: o Cristo Redentor é incrível. Mas o Gundam é mil vezes mais legal. Não é uma questão de religião ou respeito ou qualquer critério que possa passar pela sua cabeça: um robô gigante em tamanho real simplesmente desperta muito mais emoções em mim do que todas as coisas que eu já vi na vida.

Como se não bastasse, o Gundam ainda acende luzes, mexe a cabeça e solta fumaça dos exaustores no peito dele o dia todo. Mas, durante a noite, todo um show de luzes acontece enquanto um anime exclusivo de 11 minutos é exibido num telão de 32 metros por 11 metros e meio atrás do Gundam – incluindo os pilotos que aparecem dentro do cockpit!

Esse show rola toda noite, às 19:30, 20:30 e 21:30, e todo mundo se senta aos pés do robô gigante antes de começar. É uma verdadeira comunhão: várias pessoas sorridentes esperando pra assistir um vídeo com um show de luzes feitos só pra acompanhar uma réplica de um robô de 18 metros que já é incrível por si só.

Em Odaiba está o prédio da Fuji TV, mais conhecido como o cenário da batalha contra o Myotismon em Digimon Adventure 02; a Daikanransha, uma das maiores rodas-gigantes do mundo; o Baratie, do restaurante temático do One Piece; o Joypolis, um parque de diversões indoor da Sega; e mais um punhado de coisas…

Nenhuma delas foi mais legal do que só olhar para o Gundam.

Pra quem é do rolê, logo ao lado do RX-78 tem um container onde eles vendem muitos kits de robôs da série pra você montar – com vários modelos que eu só vi por lá e em uma ou outra loja especializada com um acervo enorme.

Do outro lado está o Gundam Cafe, onde eles vendem capas para celular, pratos, hashis, cadernos e todo tipo de coisas em formatos ou tema de Gundam (até crepes no formato do RX-78 eles tinham). É só entrar e comprar tudo o que der vontade.

Além disso tudo, pra quem ainda estiver ávido por mais e mais robôs, no sétimo andar do Diver City (o shopping onde está o Gundam) está o Gundam Front, um mini parque de diversões/museu sobre toda a série Gundam (onde eu e a Helô nem conseguimos ir porque não deu tempo). Lá eles tem mais produtos, mais robôs e tudo o que você pode querer nessa vida que tenha Gundam no nome. A entrada custa 1.000 ienes e você pode comprar na hora.

Se você está indo para o Japão e vai passar por Tóquio, faça um favor a si mesmo e faça uma pequena viagem de trem até Odaiba para visitar esse monumento ao maior robô gigante na história dos robôs gigantes. Se você tem o menor espacinho para robôs no seu coração, vai valer cada segundo.

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