Feira da Kantuta

Que eu gosto de um passeio estranho e uma comida esquisita vocês já sabe, que eu adoro visitar a Praça da Kantuta também! Mas da ultima vez que eu fui lá eu comi uma coisa tão típica e aceitável para os mais frescos, que fazer esse post de tornou imprescindível na minha listinha de dicas para petisco nas ruas de São Paulo.

Minha primeira vez na Kantuta, há 3 anos.

Pra quem nunca foi ou não leu meu antigo post sobre o assunto, a Kantuta é uma praça que fica no Pari e também o maior reduto de bolivianos fora da Bolívia. A Zara quando tá precisando de funcionário vai lá mesmo, na feirinha cultural ver provas e amostras e de trabalhos, pra selecionar os candidatos às vagas. Mentira, claro que a Zara não vai, mas os donos de confecção vão mesmo, porque as 17h fica uma fila gigante na entrada da praça, com uma galera revisando costura e contratando os recém chegados imigrantes. Não, eles não fazem barra de calça.

Lá tem um show de calouros, muitas barracas que vendem comidas típicas preparadas na hora, algumas barracas que vendem produtos de mercearia, como batata desidratada, cervejas, alguns doces importados de lá e produtos feitos a base de folhas de coca. O que eu acho que realmente vale a pena comprar lá:

  • Chá de coca

Eu sou muito asmática, de passar mal e deixar a família desesperada querendo me internar, passava muito mal por problemas respiratórios com frequência, mas tudo melhorou bastante desde que eu passei a consumir chá de coca com frequência. Ao contrario do que todo mundo pensa, não é um alucinógeno nem que você faça o um concentrado de ervas numa pequena quantidade d’água… Eu já tentei isso quando tava com muita dificuldade pra respirar e desesperada, então pode beber sem medo.

Ele tem um suave efeito bronco dilatador e por isso todo mundo quando vai pra grandes altitudes no Peru, por exemplo, toma um chá desses. O gosto não é surpreendente, é gostoso, mas sem um grande diferencia. Parece um chá verde que deu certo, porque eu odeio chá verde. Parece um chá mate bem suave então agrada todo mundo. Uma caixa com 50 saquinhos custa de R$ 15 a R$ 20, vale a pena perguntar em todas as barracas porque os preços variam muito, isso porque só tem 5 barracas hein.

  • Licor de coca

Esse é um item indispensável pra ter entre as diferentes bebidas da sua casa, principalmente se você quiser que seus amigos te achem malvadão e você morar no interior (onde é ainda mais fácil ser malvadão).

O gosto é mais forte do que o chá, a garrafa é muito bonita, toda em vidro fosco e tem um cachecol enrolado na boca, como se fosse um boliviano hahahaha. É doce pra caramba então rende muito, porque ninguém suporta mais do que uma dose. Cada garrafa custa cerca de R$ 45.

  • Chocolates

Não vou nem falar que os chocolates são gostosos porque seria mentira, mas vale a pena experimentar porque é uma experiência única. Até os melhores chocolates deles são horríveis, até os da Nestlé são gordurosos e a variedade de recheios e texturas faz o bombom do Fofão parecer um Ferrero Rocher. Acho que os mais divertidos e tragáveis são o Sublime e o D´Onofrio Triangulo, ambos da Nestlé. Eles custam entre R$ 1 e R$ 1,50.

Esse é o pior e consequentemente o que eu acho que vocês devem comprar pra se enturmar na cultura Boliviana.

  • Quinua

Aqui no Brasil esse é o cereal da moda faz pouco tempo, mas lá na Bolívia vende praticamente qualquer coisa feita de quinua, então a Kantuta é um excelente lugar para comprar produtos saudáveis e baratinhos a base do grão. Pode comprar bastante porque faz uma salada incrível!

Não é sempre que acha, mas as vezes tem a quinua caramelizada pra vender, deve engordar muito comer isso mas é tão gostoso e descolado que vocês precisam experimentar, eu amei. Um saco com 500gr. custa R$ 6. Tudo lá é muito barato, comprem muitas coisas e estoquem na casa de vocês!

  • Inca Kola

Esse refrigerante nem é boliviano, ele é um sucesso que veio do Peru, mas mesmo assim tem pra vender em algumas das barracas-mercearia da Kantuta. A cor dele é um amarelo bem forte, mas o gosto lembra um pouco o Guaraná Jesus: parece chiclete big big de tutti-frutti!

Adoro esse gostinho dele porque adoro o chiclete, mas se você não gosta muito de bebidas muito doces ou com textura de xarope talvez nem curta tanto. Essa é a única coisa que acho cara, custa cerca de R$ 8, mas acho que vale a pena porque a importação deles não é profissionalizada. Já pensou viajar da Bolívia pra cá com garrafas de refrigerante? Eu não faria.

Como passear é bom, mas comer é melhor ainda, dar uma petiscada vai ser uma obrigação no seu passeio à Kantuta. As opções menos esquisitas para o paladar brasileiro-fresco são:

  • Salteña

Um pastel feito de massa que parece pão e biscoito ao mesmo tempo recheado de sopa de carne. Essa é a minha definição e concordo que a imagem que a gente elabora com essa frase não é uma delicia, mas o petisco arrasa! Lá tem muita coisa estranha pra comer e a maioria das pessoas não quer se arriscar, então recomendo essa que é a coxinha da Bolívia, digamos assim.

Até o Raoni aprovou a Salteña!

Você dá uma mordida e transforma o pastel em um copinho, então vai comendo a sopa com a colher que entregam junto com esse salgado. Tem sabor frango também, mas é uma variação meio apimentada. Cada uma custa R$ 3 e muitas barracas vendem.

  • Salsipapas

Eu não como batata frita de rua, não como salsicha e não como banana frita, portanto pedir essa que é a bandeja mais calórica da América do Sul foi uma total mudança de ares. Não tem muito mistério não, então não vou tentar descrever loucurinhas: é salsicha, cebola, batata e banana da terra, tudo frito junto num pratinho de isopor (todas as barracas servem nessas bandejinhas).

Não é muito sequinho porque lá ninguém usa papel toalha, mas é realmente bem crocante. A minha parte favorita é a banana da terra, mas a salsicha pode se tornar algo gostoso se você pedir um copinho com o molho especial apimentado que todas as barracas servem. Todo mundo vende e custa cerca de R$ 10.

  • Refrescos

Se tem uma feira cultural que é amiga do seu rim, esse lugar é a Kantuta! Lá todo mundo é viciado num refresco de pêssego que é realmente uma delícia (não coma o pêssego do fundo do copo, por favor, não coma), mas em algumas barracas essa aguinha geladinha com gostinho de frutas e quero mais, é possível encontrar os sabores: maçã, maçã com abacaxi, uva verde com menta, quinua com abacaxi e o meu favorito, que é amendoim! Custa R$ 1.

Eu não sei o motivo de gostar tanto, mas adoro ir na Kantuta. Lá todo mundo é humilde, simpático, sorridente, meio sofrido, mas muito maneiro! É pouco divulgado, apesar de que eles se esforçam bastante para que essa se torne uma feira famosa e um passeio conhecido para os que moram em São Paulo. Acho que é uma excelente dica para um passeio nesse domingo ou até mesmo no feriado. Lá não é muito cheio, é seguro e de fácil acesso para ir de carro, ônibus e metrô:

Feira Kantuta: todos os domingos, das 11h às 19h, na Praça Kantuta – altura do nº 625 da rua Pedro Vicente, bairro do Pari, São Paulo (SP).

Como chegar: de transporte público, desça na estação Armênia do metrô, saída para a rua Pedro Vicente. A Praça da Kantuta está a 700 metros. De carro, vá pela Avenida Cruzeiro do Sul, sentido bairro, e vire à direita na rua Pedro Vicente.

Quando ir: principalmente nas datas de festa, “Festa das Alacitas”, em 24 de janeiro; Carnaval; Dia das Mães; Independência da Bolívia, em 6 de agosto; aniversário de cidades bolivianas (o de Copacabana, por exemplo, é em 6 de junho); Dia das Crianças e Natal. Muitas apresentações folclóricas com música ou dança ocorrem também fora das datas festivas.

Mais alguém já se aventurou por lá? Vou marcar de fazer um encontro do blog recheado com salsipapas hahahahaha. Brincadeira, beijo <3

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