E se você morasse na rua?

9 de setembro de 2014

Calma, não tou rogando praga pra ninguém e ternho certeza absoluta que isso jamais vai acontecer com pelo menos 99% das pessoas que estão lendo esse post, ufa! Mas Acho que ao mesmo tempo, essa certeza faz com que a gente deixe de se colocar no lugar de pessoas que passam por isso. É esquisito pensar, provavelmente vocês vão me achar exagerada e eu sou um pouco mesmo, mas frequentemente me pego pensando sobre isso… Na verdade aumentou desde que me tornei autônoma hahahaha. Eu tenho um colega que sempre teve esse medo, vira e mexe ele passava horas pensando sobre isso, porque ele realmente temia virar sem teto um dia, provavelmente ainda teme. Eu lembro que inicialmente achava uma grande loucura, afinal com tantos familiares e amigos que temos, gosto de pensar que sempre alguém vai ajudar caso a gente precise e que isso nunca aconteceria.

“Perdi tudo. Começando de novo”.

Mas e se isso tudo falhar por algum motivo? E se a nossa família também passar por alguma situação muito difícil e não conseguir ajudar? E se todos virarem sem teto? E se você não for tão próximo dos seus amigos e familiares a ponto de ter coragem de pedir ajuda? E se você estiver num lugar muito distante? Algumas pessoas costumam pensar que todos que vivem nas ruas estão nessa situação porque ~são vagabundos~, drogados, criminosos e uma série de outras coisas ruins. Mas a verdade é que a maioria das pessoas que não têm um lar atualmente, tinham vidas como a minha e a sua e não fizeram nada de errado.

“Eu construí robôs”.

Para trabalhar nessa conscientização, uma organização chamada Impact Homeless tem feito um trabalho muito legal chamado ReThink Homelessness. Eles estão colhendo vários testemunhos de moradores de rua, justamente para mostrar que muitos deles chegaram nessa situação por motivos de doença, violência doméstica ou falta de sorte, mas que estudaram, trabalhavam (alguns ainda trabalham!) e tinham grandes sonhos como todos nós.

“Eu era Personal Trainer, acredite ou não”.

“Eu cheguei a ter uma bolsa pra jogar baseball”.

“Eu sou sem-teto e eu TENHO um trabalho”.

“Eu sou um geek dos computadores”.

“Eu estou recuperando de uma cirurgia ao coração”.

“Eu fui patinadora”.

“Eu entrei em uma Escola de Modelos”.

“Eu tenho Huntington [doença neurodegenerativa incurável], mas eu não deixo que nada me derrube”.

“Eu estive no time dos Buffalo Bills [de Futebol Americano] entre 1998 e 2000″.

“Eu e meu filho escapamos da violência doméstica”.

“Eu tenho o diploma de Biologia pela Universidade de West Virginia”.

“Eu tenho um câncer de pulmão no estágio 2″.

Talvez assim seja mais fácil se colocar no lugar de pessoas que estão passando por essa situação e ajudá-las, né? Aqui no Brasil tem muita gente morando nas ruas, mas vejo muitas vezes que elas não recebem a atenção necessária, não só por parte das autoridades, mas também dos cidadãos comuns… Nós. Como eu moro no Centro, vejo essa realidade pelo menos uma vez por dia, então não consigo esquecer nem por um momento e arrisco dizer que atualmente quase todas as decisões que eu tomo são impactadas por pensamentos como “nossa, mas eu vou gastar dinheiro viajando pro outro lado do mundo e tem gente dormindo no chão da minha rua”. No fim das contas vejo que não dá pra ser tão radical e deixar de viver pra tentar solucionar os problemas do mundo, mas tento ajudar o máximo que eu posso e nunca me esqueço de me colocar no lugar do próximo afinal… Um dia pode ser eu ali. Tentem fazer esse exercício também! No começo assusta, mas ao mesmo tempo ajuda a encontrar soluções.  Vi esse trabalho pela primeira vez no Hypeness, site que eu adoro, mas sinceramente não concordei muito com o posicionamento deles, então resolvi dividir com vocês o que eu penso a respeito. Mil beijos e até amanhã <3

PS: vou embarcar hoje a noite! Nem acredito ainda, acho que só vou acreditar quando aparecer aquele mapinha dentro do avião, falando quanto falta pra chegar… Talvez nem assim eu acredite!! Me sigam no instagram (aqui) e no Youtube (aqui) para novidades em tempo real e com um fuso-horário muito louco.

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