Building Stories

21 de fevereiro de 2013

No fim de semana, sempre quando eu e o Raoni tiramos um tempo para passear, os roteiros geralmente contam com duas opções: comida e livraria, yay! No último não foi diferente, mas pra incrementar resolvemos conhecer a lojinha Geek.etc, uma divisão da Livraria Cultura pra abrigar o que eles consideram nerdices. Eu não gosto muito desse tipo de ambiente porque acho que aqui no Brasil esse tipo de coisa não funciona bem e acaba ficando cafona, mas ao chegar no segundo piso o Raoni deu de cara com um livro que ele queria mais do que qualquer coisa nesse planeta e alegou que iria comprar, independente do preço que ele custasse. Esse achado valeu a visita e para minha satisfação, a coisa tava em promoção por R$ 99, o que é extremamente barato se tratando da obra hype-aclamada-must-have que é.

Não vou mentir pra vocês:  HQ é algo muito novo na minha vida, só conheço dois que eu acho realmente incríveis e não me interesso muito em ler os lançamentos do gênero. Mas se tem um livro fenomenal que eu indicaria pra qualquer um que quer começar a ler esses gibis megalomaníacos, definitivamente seria “Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo”, que resumidamente, fala sobre o processo de aproximação de um jovem com um pai até então desconhecido. Na época essa trama me chocou bastante, porque geralmente o gênero dramático fica muito artificial em HQs, mas nesse caso foi completamente diferente e eu amei o livro, foi quando eu ainda trabalhava com livros e indiquei ele pra bastante gente que ficou satisfeita. Foi pra minha surpresa que, depois de muito estranhar a caixa gigante que o Raoni havia comprado no nosso passeio, me toquei que o autor era o mesmo Chris Ware do Jimmy Corrigan e a partir de então, comecei a me interessar mais sobre Building Stories!

Assim que eu vi na livraria, já achei o projeto gráfico do livro muito legal, querendo ou não a gente julga o livro pela capa e nesse caso era impossível não adorar: a caixa é maravilhosa, parece um jogo de tabuleiro riquíssimo e dentro dela contém 14 coisas de ler (um livrão, um livrinho, quatro revistas, uma espécie de pôster com história, um jornal, duas coisas do tamanho de jornais grandes, um caderninho comprido, que nem tira de jornal, duas tiras de HQ sanfonadas e um tabuleiro). O único lugar da minha casa que coube todas essas coisas dispostas lado a lado foi a minha cama, por isso mesmo as fotos foram feitas em cima do meu belíssimo lençol verde hahahaha.

A história principal é sobre uma depressiva mulher adulta, que tem metade da perna amputada e no livro acompanhamos diversas fases da vida dela. No meu caso, as partes que mais interessaram são as que relatam os dilemas da vida de outros moradores do mesmo prédio. É como se a construção transmitisse uma tristeza inerte em todas as convivências, todo mundo tem um drama, um problema, que torna o viver naquele endereço melancólico de alguma forma. Isso por si só já seria interessante e provavelmente já me faria comprar o livro, mas com certeza o diferencial, que fez Building Stories ficar tão famoso, é que cada uma dessas 14 partes que vêm dentro da caixa, contém uma parte da história e elas podem ser lidas em qualquer ordem! Surreal, né? É o tipo de coisa que me faz ficar pensando durante horas, porque sinceramente eu teria muita dificuldade para escrever algo que tenha sentido e não contenha muito spoiler independente da forma que for lido. Aliás, outra coisa que está me deixando muito curiosa: um dia, mais cedo ou mais tarde, esse sucesso será traduzido para o português! Mas essa tarefa vai ser muito difícil, porque o nome do livro forma a sigla BS, que é uma homenagem ao escritor B.S. Johnson, que escreveu The Unfortunates em 1969, algo parecido com Buildings Stories, já que eram em 27 capítulos sem encadernação, sendo os 25 do meio lidos na ordem que você quiser. Ou seja: como se traduz o termo “construindo histórias” para algo de sentido parecido, mas que também contenha as iniciais B e S? Fiquei pensando nisso o dia todo e sinceramente acho que talvez se perca no português hahahaha.

Apesar de eu estar apaixonadinha, concordo que talvez a caixa-livro seja uma trapaça… Sem ser ao mesmo tempo: a grande maioria dos fragmentos já havia saído em revistas e antologias. O quadrinho-pôster, por exemplo, é daquele tamanho porque saiu numa edição da Kramer’s Ergot, que é famosa por só publicar coisas no tamanho XXG. Vi também o Érico Assis, falando que as páginas que saíram na New York Times Magazine continuam diagramadas conforme os padrões da revista. Ou seja, não tiro em nada o mérito do autor porque o lançamento dele foi revolucionário, mas: talvez não tenha sido tão difícil de montar (apesar de que cada página demorou cerca de 40 horas para ser elaborada), ou talvez tenha sido ainda mais difícil, já que existe a possibilidade dele ter lançado os fragmentos separados como parte de um plano e a graça era ler todos os trechos publicados em revistas e jornais diferentes, fora de ordem… Exatamente como é a experiência de comprar o livro. Não dá pra saber e eu também não posso me prolongar tanto no assunto, porque vocês nem leram o livro ainda, né? Hahahaha.

Na verdade, agora que eu entendi a coisa toda que esse livro significou para o mundo da literatura no ano de 2012, fiquei maravilhada dele ser encontrado com tanta facilidade no Brasil! Geralmente os livros mais moderninhos demoram pra chegar aqui e quando chegam é por um preço nada condizente com o valor de capa, né? Mas nesse caso não: o preço original da Livraria Cultura é de R$ 128, mas vai ficar por R$ 99 até dia 28/02. Pra quem não mora próximo a uma das filiais, no site da Saraiva ele custa R$ 108, o que também é fantástico se a gente pensar que o preço oficial dele é 50 dólares! Parece que finalmente vale a pena esperar que os lançamentos cheguem, ainda que não traduzidos, ao Brasil <3

“Ler o reencontro com o ex-namorado que a convenceu a abortar antes de ler a história do aborto é menos ou mais dramático do que ler a história do aborto e depois o reencontro com o ex-namorado que a convenceu a abortar?”

Fica a dúvida e para saber… Apenas lendo o livro! Você, já conhecia o Building Stories? Já leu o Jimmy Corrigan? Qual a sua HQ favorita? Beijo e até logo <3

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